Prefeitura de Várzea Grande aponta “herança financeira” e expõe números da gestão anterior
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 28/05/2026
A Prefeitura de Várzea Grande voltou a acirrar o embate político com a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) após divulgar um levantamento que aponta um impacto financeiro de R$ 72,6 milhões em dívidas herdadas de administrações anteriores. Segundo a equipe da prefeita Flávia Moretti (PL), os débitos continuam pressionando diretamente o orçamento do município e comprometendo investimentos da atual gestão.
Os números foram apresentados pela Secretaria Municipal de Gestão Fazendária e envolvem restos a pagar, despesas de exercícios anteriores e compromissos financeiros que, segundo a prefeitura, precisaram ser assumidos para evitar paralisação de serviços essenciais na cidade.
De acordo com o relatório técnico divulgado pela administração municipal, somente em 2025 a prefeitura desembolsou R$ 39,1 milhões para quitar dívidas herdadas da gestão passada. Desse total, R$ 32,1 milhões correspondem a restos a pagar não processados e outros R$ 7 milhões a despesas processadas.
A atual gestão afirma que o município registrou R$ 113,7 milhões em restos a pagar não processados no exercício de 2025. Os valores representam despesas empenhadas, mas cujos serviços, obras ou fornecimentos ainda não haviam sido totalmente concluídos até o encerramento do exercício financeiro.
Segundo os dados apresentados, R$ 99,5 milhões pertencem diretamente à Prefeitura de Várzea Grande, enquanto R$ 12,5 milhões estão ligados ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) e R$ 1,6 milhão à Câmara Municipal.
Outro ponto destacado pela administração de Flávia Moretti são as chamadas Despesas de Exercícios Anteriores (DEA), referentes a contas não quitadas em anos anteriores. Apenas nessa modalidade, a prefeitura afirma ter desembolsado R$ 33,5 milhões durante o exercício atual.
Nos bastidores políticos, o tema se transformou em um dos principais discursos da prefeita desde o início da gestão. Flávia já havia declarado anteriormente que recebeu uma prefeitura com forte desequilíbrio financeiro, fornecedores sem pagamento e contratos pendentes em diversas áreas da administração pública.
A equipe econômica da prefeitura sustenta que o impacto das dívidas antigas compromete diretamente a capacidade de investimento do município. Segundo o levantamento técnico, sem a necessidade de quitar débitos herdados, o volume de restos a pagar não processados seria cerca de 40% menor, ficando próximo de R$ 60 milhões.
A gestão também informou que, somente em 2026, já foram pagos aproximadamente R$ 27 milhões em restos a pagar, reduzindo o saldo atual para cerca de R$ 54,4 milhões.
O ex-prefeito Kalil Baracat, porém, já contestou publicamente as acusações em outras ocasiões e afirmou que os números apresentados pela atual administração não refletem a realidade financeira deixada ao fim de sua gestão. Kalil sustenta que boa parte dos valores apontados corresponde a empenhos não executados e que poderiam ter sido anulados administrativamente.
O ex-prefeito também argumenta que os chamados restos a pagar processados deixados por sua administração seriam muito inferiores aos valores divulgados pela atual gestão. A divergência abriu uma disputa política e técnica sobre a real situação financeira da segunda maior cidade de Mato Grosso.
Enquanto o embate entre os grupos políticos aumenta, a atual administração tenta equilibrar as contas públicas em meio a cobranças por investimentos em infraestrutura, saúde, abastecimento de água e mobilidade urbana. A crise financeira virou um dos principais desafios da gestão Flávia Moretti nos primeiros meses de mandato em Várzea Grande.
Baixada Cuiabana
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