Cuiabá, 2026-07-29T16:43:10

Presidente do TCE diz que Várzea Grande vive “caos” e afirma que Flávia herdou crise histórica

Presidente do TCE diz que Várzea Grande vive “caos” e afirma que Flávia herdou crise históricaPolítica

POR: Redação

POSTADO EM: 29/07/2026

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O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, fez uma das declarações mais contundentes sobre a situação financeira de Várzea Grande ao afirmar que o município vive um “caos” administrativo e financeiro e que a prefeita Flávia Moretti (PL) não pode ser responsabilizada por problemas acumulados ao longo de décadas. A manifestação ocorreu durante a instalação da mesa técnica criada para buscar uma saída para a dívida de precatórios da cidade, que já supera R$ 1 bilhão e se tornou um dos maiores entraves da administração municipal.

Ao comentar o cenário enfrentado pela atual gestão, Sérgio Ricardo afirmou que a prefeita se tornou a “vítima” de um passivo histórico construído ao longo de sucessivas administrações. Segundo ele, a crise não surgiu no atual mandato, mas é resultado de aproximadamente 40 anos de acúmulo de precatórios e de falhas estruturais na gestão pública do município.

“Várzea Grande vive um caos. E hoje a vítima está aqui. A vítima de todo um histórico que, uma hora, estoura no colo de alguém”, declarou o presidente do TCE, ao defender que a cidade enfrenta um problema que extrapola governos específicos e compromete a capacidade de funcionamento da máquina pública.

A fala ocorre poucos dias após a Prefeitura decretar calamidade financeira e fiscal, em razão do bloqueio de aproximadamente R$ 19 milhões nas contas municipais para pagamento de precatórios. A medida elevou o nível de preocupação da administração, que já admite a possibilidade de adotar medidas mais drásticas para equilibrar as finanças, inclusive cortes de despesas e revisão da estrutura administrativa.

Na avaliação do conselheiro, Várzea Grande está praticamente inviabilizada do ponto de vista financeiro, situação que afeta diretamente a prestação de serviços essenciais à população. Para ele, a atual prefeita assumiu um problema de grandes proporções, mas não foi responsável pela origem da crise.

“A prefeita tem um problema, mas ela está lá há um ano e meio. Ela não causou todos os problemas que hoje nós temos”, afirmou.

Sérgio Ricardo também apontou o Departamento de Água e Esgoto (DAE) como um dos principais fatores que agravaram o quadro financeiro do município. Segundo ele, a autarquia acumulou dívidas ao longo dos anos e perdeu capacidade de investimento e de gestão, fazendo com que boa parte do passivo de precatórios fosse incorporada pela Prefeitura.

“O DAE ficou quebrado a vida inteira. Não teve capacidade sequer para pagar contas básicas. Hoje, a maior dívida de precatório é do DAE e, por força da legislação, quem assume essa conta é a Prefeitura”, declarou.

Durante a reunião, o presidente do Tribunal defendeu que a solução para a crise passa por uma atuação conjunta entre órgãos de controle, Poder Judiciário e Câmara Municipal. Um dos principais encaminhamentos foi o apoio à aprovação de um projeto de lei que permitirá acordos diretos entre a Prefeitura e credores de precatórios, mecanismo que pode reduzir significativamente o impacto financeiro sobre os cofres públicos.

A proposta é considerada estratégica porque pode permitir descontos nas dívidas mediante negociação direta, acelerando pagamentos e diminuindo a pressão mensal sobre o orçamento municipal. Atualmente, a Prefeitura afirma desembolsar mais de R$ 6 milhões por mês para quitar precatórios, valor que limita investimentos em infraestrutura, saúde, educação e outras áreas essenciais.

A instalação da mesa técnica representa uma tentativa institucional de reorganizar a dívida e construir um plano de recuperação fiscal para Várzea Grande. O Tribunal de Contas pretende acompanhar a execução das medidas e avaliar alternativas jurídicas e financeiras capazes de restabelecer a capacidade administrativa do município.

Nos bastidores políticos, as declarações de Sérgio Ricardo reforçam o discurso da atual gestão de que a crise financeira foi herdada e exigirá soluções estruturais, e não apenas medidas emergenciais. O debate sobre os precatórios, o futuro do DAE e a reorganização das contas públicas tende a dominar a agenda política de Várzea Grande nos próximos meses e pode influenciar diretamente a relação da prefeita com vereadores, servidores e demais instituições de controle.

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