“Só dou sugestões”, afirma Abílio após críticas de interferência na disputa da Mesa Diretora
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 16/04/2026
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), negou qualquer interferência direta na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal, mas reconheceu que suas declarações públicas acabam influenciando o ambiente político dentro do Legislativo. A fala ocorre em meio ao aumento da tensão entre vereadores e sinais de desgaste na base aliada.
Ao tentar se posicionar como observador do processo, o prefeito afirmou que a escolha da Mesa é uma atribuição exclusiva dos parlamentares. No entanto, admitiu que suas manifestações — especialmente feitas por meio da imprensa — podem gerar impacto nas articulações internas.
“Eu não voto. Eu só dou sugestões”, afirmou, ao reforçar que a decisão final cabe aos vereadores. Na sequência, reconheceu que esse tipo de posicionamento pode provocar reações e até desconforto dentro da Câmara, evidenciando a influência indireta do Executivo no processo.
O episódio acontece em um momento de forte movimentação política nos bastidores do Legislativo cuiabano, onde ao menos três nomes disputam o comando da Casa. Entre eles estão o vereador Dilemário Alencar, atual líder do prefeito, além de outros parlamentares que articulam apoio para a eleição do biênio 2027-2028.
A disputa ganhou contornos mais delicados após críticas públicas à postura de Abílio. Aliados passaram a questionar o que classificam como interferência indevida do Executivo, especialmente após o prefeito sinalizar preferência pela reeleição da atual presidente, Paula Calil.
Nos bastidores, o “climão” entre o prefeito e parte da base já é tratado como um dos principais fatores de instabilidade política no Palácio Alencastro. A insatisfação de vereadores, inclusive de aliados diretos, expõe fissuras na articulação política da gestão municipal.
Apesar disso, Abílio insiste no discurso de neutralidade institucional. Ele argumenta que não participa das decisões internas da Câmara e que sua atuação se limita a opiniões pessoais, ainda que reconheça o peso político que carrega como chefe do Executivo.
Outro ponto que movimenta o cenário é a possibilidade de mudança no regimento interno da Câmara para permitir a reeleição dentro da mesma legislatura. A proposta, que exige ampla maioria, já circula entre os parlamentares e pode redefinir o rumo da disputa.
O caso evidencia um cenário clássico de tensão entre Executivo e Legislativo, em que a linha entre articulação política e interferência institucional se torna cada vez mais tênue. Em Cuiabá, a eleição da Mesa Diretora deixa de ser apenas uma disputa interna e passa a refletir o equilíbrio de forças dentro da própria base governista.
Baixada Cuiabana
Paula Calil diz que suspeitas contra vereadores são individuais e não representam Câmara de Cuiabá
Câmara de Cuiabá aguarda apuração do Gaeco após vereadores serem alvos de operação
Flávia Moretti deixa futuro de Ananias no PL nas mãos de Valdemar Costa Neto
PUBLICIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Qual a maior força de um homem?
Mauro Mendes entra na disputa por dois ministérios em eventual governo de Flávio Bolsonaro
Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande
