Cuiabá, 2026-07-09T15:09:41

Baixinha acusa Abílio de romper acordo político com ação no TJ sobre eleição da Câmara

Baixinha acusa Abílio de romper acordo político com ação no TJ sobre eleição da CâmaraBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 09/07/2026

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A ofensiva judicial do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), para alterar as regras do Regimento Interno da Câmara Municipal abriu uma nova crise política no Legislativo e provocou reação dentro do próprio grupo que articulava um acordo para a eleição da próxima Mesa Diretora. A vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) afirmou que a iniciativa da Procuradoria-Geral do Município de acionar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) rompeu o entendimento firmado entre 14 parlamentares e mudou completamente o cenário das negociações para a sucessão no comando da Casa.

Segundo a parlamentar, o grupo havia firmado um compromisso político após reuniões conduzidas pela atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL). Pelo acordo, a presidente buscaria conquistar os 18 votos exigidos pelo Regimento Interno para aprovar a alteração que permitiria sua candidatura à reeleição. Caso esse número não fosse alcançado até o dia 16 de julho, última sessão ordinária antes do recesso parlamentar, os 14 vereadores passariam automaticamente a apoiar a candidatura do vereador Dilemário Alencar (União Brasil) para presidir o Legislativo no próximo biênio.

Baixinha afirmou que, durante todas as conversas, jamais foi discutida a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário para modificar as regras internas da Câmara. Conforme a vereadora, ela e Dilemário foram surpreendidos ao tomar conhecimento de que o Executivo havia ingressado com uma ação questionando a constitucionalidade do quórum qualificado previsto no Regimento. Para a parlamentar, a decisão altera as condições em que o acordo foi firmado e representa uma quebra do compromisso político assumido entre os vereadores.

A ação protocolada pela Prefeitura questiona dispositivos do artigo 177 do Regimento Interno, que exigem votação favorável de dois terços dos vereadores para alterar normas internas da Casa e para outras matérias específicas. O Executivo sustenta que essas exigências não encontram respaldo na Constituição Federal e que, como regra geral, as deliberações legislativas devem ocorrer por maioria simples, salvo exceções expressamente previstas. Caso o Tribunal de Justiça acolha o pedido, o número de votos necessários para modificar o Regimento poderá cair de 18 para 14, facilitando uma eventual mudança que permita a recondução de Paula Calil à presidência da Câmara.

A vereadora também demonstrou insatisfação com a condução do processo e afirmou esperar que o pacto firmado entre os parlamentares seja respeitado. Ela reforçou que o compromisso sempre foi construído com base nas regras atualmente em vigor e que qualquer alteração por decisão judicial interfere diretamente no entendimento político firmado entre os integrantes do grupo.

O bloco citado por Baixinha reúne vereadores de diferentes partidos e foi formado justamente para buscar uma solução consensual para a eleição da Mesa Diretora. Integram o grupo, além de Paula Calil e Dilemário Alencar, parlamentares como Samantha Iris (PL), Rafael Ranalli (PL), Marcrean Santos (MDB), Kassio Coelho (Podemos), Marcus Brito (PV), Tenente-Coronel Dias (Cidadania), Demilson Nogueira (PP), Mário Nadaf (PV), Adevair Cabral (Solidariedade), Cesinha Nascimento (União Brasil) e Wilson Kero Kero (DC).

A judicialização da disputa amplia a tensão entre Executivo e Legislativo justamente no momento em que a Câmara redefine o calendário para a eleição da Mesa Diretora, após mudanças decorrentes de decisões judiciais sobre eleições antecipadas em casas legislativas. Enquanto o Tribunal de Justiça analisa o pedido da Prefeitura, o impasse político tende a se intensificar e pode influenciar diretamente a formação da nova direção da Câmara de Cuiabá para o próximo biênio.

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