Cuiabá, 2026-07-09T15:08:32

Após manobra frustrada da base de Abílio, CPI do assédio sexual volta à pauta da Câmara

Após manobra frustrada da base de Abílio, CPI do assédio sexual volta à pauta da CâmaraBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 09/07/2026

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A disputa política em torno da investigação das denúncias de assédio sexual envolvendo um ex-integrante do alto escalão da Prefeitura de Cuiabá ganhou um novo capítulo. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para apurar o caso voltou a tramitar na Câmara Municipal após um erro da base de apoio do prefeito Abílio Brunini (PL), que acabou permitindo o desarquivamento do requerimento durante a sessão legislativa.

A movimentação representa uma vitória para os vereadores de oposição e independentes que defendem uma investigação com os poderes próprios de uma CPI. O pedido tem como foco apurar as denúncias de assédio sexual e possíveis irregularidades administrativas atribuídas ao ex-chefe de gabinete e ex-secretário William Campos, que deixou o cargo após as acusações se tornarem públicas. Além das denúncias de assédio, o caso também passou a envolver questionamentos sobre movimentações financeiras e atos administrativos relacionados ao período em que o ex-servidor ocupava função estratégica na administração municipal.

O requerimento havia sido praticamente inviabilizado depois que vereadores da base governista protocolaram, em sequência, cinco pedidos de CPI voltados à gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Como o Regimento Interno da Câmara limita o funcionamento simultâneo de cinco comissões parlamentares de inquérito, a estratégia acabou impedindo a instalação de qualquer nova investigação naquele momento. A manobra gerou forte reação de parlamentares da oposição, que acusaram a base de utilizar instrumentos regimentais para impedir o avanço das apurações.

Com o desarquivamento, a proposta volta ao debate político e reacende a disputa entre os grupos favoráveis e contrários à abertura da investigação. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos), autor do pedido, sustenta que apenas uma CPI possui os instrumentos necessários para convocar testemunhas, requisitar documentos e aprofundar a apuração dos fatos. Na avaliação do parlamentar, uma comissão especial, como a defendida por parte da base governista, não possui os mesmos poderes de investigação e fiscalização.

O caso ganhou grande repercussão desde a exoneração de William Campos. A denúncia mobilizou parlamentares, entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres e organizações da sociedade civil, que passaram a cobrar transparência e uma apuração rigorosa sobre os fatos. A pressão também fez com que a Prefeitura reforçasse a divulgação dos canais oficiais de denúncia contra assédio moral e sexual no âmbito da administração municipal, enquanto o Executivo afirmou que as denúncias devem ser investigadas pelos órgãos competentes.

Mesmo com a retomada da tramitação, a instalação da CPI ainda dependerá do cumprimento das exigências regimentais e da articulação política dentro da Câmara. O episódio evidencia o clima de tensão entre situação e oposição e amplia o desgaste político em torno de um caso que continua repercutindo tanto no Legislativo quanto no Executivo municipal.

A expectativa é de que a discussão sobre a abertura da comissão continue dominando a pauta da Câmara nas próximas sessões. O desfecho poderá influenciar não apenas o futuro da investigação, mas também a relação entre a base do prefeito Abílio Brunini e os vereadores independentes, em um momento de forte disputa política na Capital.

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