Após impasse judicial, Dilemário volta à corrida pela presidência da Câmara e acirra disputa entre vereadores
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 17/07/2026
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027-2028 ganhou um novo e decisivo capítulo. O vereador Dilemário Alencar (União Brasil) anunciou que voltou oficialmente à corrida pelo comando do Legislativo após considerar encerrado o acordo político firmado com a atual presidente da Casa, Paula Calil (PL). A decisão foi tomada depois que a Justiça suspendeu a votação da proposta que permitiria a reeleição da parlamentar, mudando completamente o cenário político dentro do Parlamento municipal.
Ao comunicar sua decisão durante sessão plenária, Dilemário afirmou que o compromisso estabelecido com Paula Calil tinha prazo definido e dependia de uma condição considerada essencial: a aprovação, até o dia 16 de julho, da alteração do Regimento Interno da Câmara. Pelo entendimento firmado, ele e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) retirariam suas candidaturas caso a presidente reunisse os 18 votos necessários para aprovar a mudança regimental que abriria caminho para sua recondução ao cargo. Como a votação foi interrompida por decisão judicial, o vereador avaliou que o acordo perdeu validade e decidiu restabelecer sua candidatura.
A suspensão foi determinada pelo desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que concedeu liminar suspendendo a tramitação do Projeto de Resolução apresentado pelo vereador Marcus Brito Jr. (PV). A proposta previa permitir uma única recondução ao mesmo cargo da Mesa Diretora durante a mesma legislatura, alteração considerada fundamental para viabilizar uma nova candidatura de Paula Calil à presidência da Câmara. Na decisão, o magistrado apontou questionamentos sobre o quórum exigido para aprovação da matéria e entendeu que o Regimento Interno não poderia estabelecer exigências em desacordo com a Lei Orgânica do Município.
Com a mudança de posição de Dilemário, a eleição para o comando do Legislativo volta a ficar completamente aberta. O cenário, que anteriormente caminhava para uma possível composição em torno da atual presidente, passa novamente a contar com pelo menos três nomes colocados na disputa: Paula Calil, Dilemário Alencar e o vereador Ilde Taques (Podemos), que já vinha articulando apoio entre os parlamentares desde o início das negociações para a formação da próxima Mesa Diretora.
Apesar do rompimento político, Dilemário evitou elevar o tom das críticas contra Paula Calil e afirmou que continuará dialogando com os demais vereadores na tentativa de ampliar sua base de apoio. Segundo ele, a eleição da Mesa Diretora deve ser definida exclusivamente pelos 27 parlamentares eleitos, sem interferências externas, destacando que a Câmara precisa preservar sua autonomia institucional e construir uma solução que fortaleça o Legislativo cuiabano.
O anúncio também recebeu o apoio público da vereadora Baixinha Giraldelli, que reafirmou seu compromisso com Dilemário e criticou o descumprimento do acordo político firmado anteriormente. A parlamentar afirmou que permanecerá ao lado do colega na disputa e defendeu que compromissos assumidos entre vereadores precisam ser respeitados para garantir credibilidade nas articulações políticas da Casa.
A decisão representa um novo revés para o grupo que trabalhava pela permanência de Paula Calil na presidência da Câmara. A presidente chegou a reunir uma base de apoio para tentar aprovar a alteração do Regimento Interno, mas a intervenção da Justiça interrompeu a estratégia e obrigou o grupo a reorganizar suas articulações. Agora, com o retorno de Dilemário à disputa, a tendência é que as negociações se intensifiquem nas próximas semanas, em uma eleição considerada uma das mais disputadas dos últimos anos no Legislativo da capital.
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