Após revés da LDO, Paula reconhece base ‘machucada’ e defende que Cuiabá foi a maior prejudicada
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 17/07/2026
A rejeição do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 pela Câmara Municipal de Cuiabá evidenciou o momento de tensão vivido entre os vereadores da base do prefeito Abílio Brunini (PL). Apesar de reconhecer que o grupo governista saiu “machucado” após a votação, a presidente da Casa, Paula Calil (PL), evitou afirmar que o resultado foi consequência direta da disputa pela presidência da Mesa Diretora, que nas últimas semanas intensificou a divisão entre os parlamentares.
A proposta, considerada uma das principais peças do planejamento financeiro da administração municipal, recebeu 12 votos favoráveis, mas precisava de pelo menos 14 para ser aprovada, conforme determina a Lei Orgânica do Município. O resultado impediu a aprovação da matéria antes do recesso legislativo e obrigará a Câmara a manter suas atividades até que o projeto seja novamente apreciado em plenário.
Questionada sobre o cenário político, Paula reconheceu que a base do Executivo atravessa um momento de desgaste, mas afirmou que cabe a cada vereador explicar as razões que motivaram seu voto. Segundo ela, o projeto cumpriu todas as etapas previstas na tramitação legislativa, passando por audiências públicas, análise das comissões permanentes e recebendo emendas antes de chegar à votação definitiva. A presidente destacou ainda que alguns parlamentares justificaram ausência da sessão e outro vereador permaneceu em plenário sem registrar voto, fatores que contribuíram para que a proposta não alcançasse o quórum mínimo exigido.
Mesmo diante da crise instalada no Legislativo, Paula preferiu não associar o revés da LDO ao embate envolvendo a eleição da próxima Mesa Diretora. Nos últimos dias, a disputa ganhou novos contornos após decisão judicial suspender a tramitação da proposta que alteraria o Regimento Interno para permitir uma recondução consecutiva ao mesmo cargo da Mesa, mudança que poderia beneficiar sua candidatura à reeleição na presidência da Câmara. A decisão provocou o rompimento de acordos políticos e reacendeu a disputa entre grupos liderados por Paula Calil, Dilemário Alencar (União Brasil) e Ilde Taques (Podemos).
Apesar da avaliação feita pelo prefeito Abílio Brunini, que atribuiu a derrota da LDO à polarização provocada pela disputa interna do Legislativo, Paula preferiu manter um discurso institucional. Para ela, o principal prejuízo da rejeição da matéria não é político, mas administrativo, já que a LDO estabelece as metas e prioridades que orientarão a elaboração do orçamento municipal do próximo ano. A presidente afirmou que quem realmente perde com o atraso na aprovação é a população de Cuiabá, que depende do planejamento financeiro para a execução de políticas públicas e investimentos.
Com a rejeição da proposta, a Câmara não poderá iniciar oficialmente o recesso parlamentar. Paula informou que já iniciou tratativas com a Secretaria de Apoio Legislativo para definir o procedimento que permitirá uma nova apreciação da matéria e confirmou que as sessões ordinárias continuarão sendo realizadas normalmente até que a LDO seja aprovada. A medida mantém em funcionamento o Legislativo justamente em um momento de intensa movimentação política, marcado pela disputa antecipada pelo comando da Mesa Diretora e pelo redesenho das alianças entre os vereadores.
O episódio reforça o ambiente de instabilidade política dentro da Câmara de Cuiabá. Além de comprometer a tramitação de um dos projetos mais importantes para a gestão municipal, a votação expôs a dificuldade da base governista em manter coesão diante das divergências internas. Com a eleição da próxima Mesa Diretora se aproximando e novos movimentos de articulação entre os parlamentares, a tendência é que o cenário permaneça marcado por negociações intensas nas próximas semanas.
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