Prefeito rompe com mais dois vereadores após derrota da LDO e crise na base se aprofunda
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 17/07/2026
A crise entre o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), e a Câmara Municipal ganhou novos desdobramentos após a rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. Depois de anunciar o rompimento político com alguns parlamentares que integravam sua base, o prefeito confirmou que deixou de contar também com o apoio dos vereadores Dilemário Alencar (União Brasil ) e Baixinha Girardelli (Solidariedade), ampliando o desgaste entre o Executivo e o Legislativo em um momento considerado decisivo para a governabilidade e para a eleição da próxima Mesa Diretora.
A votação da LDO expôs a fragilidade da articulação política do governo municipal. O projeto, considerado uma das principais peças do planejamento orçamentário da Prefeitura, recebeu apenas 12 votos favoráveis e não alcançou o mínimo de 14 votos exigidos pela Lei Orgânica do Município para ser aprovado. O resultado obrigou a Câmara a permanecer em atividade, já que o recesso parlamentar depende da aprovação da proposta. Além do impacto administrativo, a derrota foi interpretada como um sinal de enfraquecimento da base governista dentro do Legislativo.
Ao comentar o episódio, Abilio afirmou que não pretende manter relação política com parlamentares que, em sua avaliação, deixaram de apoiar projetos considerados estratégicos para a administração municipal. Segundo o prefeito, a votação serviu para identificar quais vereadores continuam alinhados com sua gestão e quais passaram a seguir outro caminho político. A declaração evidencia uma mudança na estratégia do Executivo, que passa a adotar uma postura mais rígida na condução da relação com a Câmara.
Daniel Monteiro e Demilson Nogueira passam a integrar a lista de vereadores que perderam espaço na base do prefeito após a votação da LDO. O movimento amplia a reorganização política iniciada nos últimos dias, quando Abilio já havia demonstrado insatisfação com outros parlamentares que deixaram de acompanhar a orientação do governo em votações consideradas prioritárias. A tendência é que o Executivo concentre esforços na formação de um novo bloco de sustentação para garantir a aprovação de projetos de interesse da Prefeitura.
O episódio também ocorre em meio ao acirramento da disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá. A eleição da próxima Mesa Diretora provocou divisões entre os vereadores e ampliou as dificuldades de articulação do governo. A tentativa de alterar o Regimento Interno para permitir a reeleição da presidente Paula Calil (PL) acabou suspensa por decisão judicial, desencadeando o rompimento de acordos políticos e fortalecendo candidaturas alternativas, como as de Dilemário Alencar (União Brasil) e Ilde Taques (Podemos). Esse cenário contribuiu para aumentar a instabilidade entre Executivo e Legislativo nas últimas semanas.
Nos bastidores, vereadores avaliam que o rompimento com novos parlamentares pode tornar ainda mais difícil a construção de uma maioria consistente para o governo nas próximas votações. Além da LDO, a Prefeitura deverá encaminhar projetos de impacto financeiro e administrativo nos próximos meses, exigindo articulação permanente com os 27 vereadores da Casa. A manutenção desse ambiente de confronto pode influenciar diretamente a tramitação dessas matérias e a própria relação institucional entre os Poderes.
Com a base governista fragmentada e a disputa pela Mesa Diretora cada vez mais intensa, o cenário político de Cuiabá entra em uma fase de incertezas. As próximas semanas deverão ser marcadas por novas negociações, redefinição de alianças e tentativas de recomposição de forças, enquanto Executivo e Legislativo buscam retomar o diálogo em meio ao maior desgaste político enfrentado pela gestão de Abilio Brunini desde o início do mandato.
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