Cuiabá, 2026-10-23T05:28:51

Gaeco aponta uso de vídeos secretos para chantagear vereadores em Várzea Grande

Gaeco aponta uso de vídeos secretos para chantagear vereadores em Várzea GrandeBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 22/10/2026

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Gravações clandestinas de vereadores supostamente recebendo dinheiro teriam sido utilizadas para pressionar parlamentares e garantir apoio à reeleição do presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB). A suspeita consta em relatórios do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investiga um possível esquema de compra de votos e negociação de vantagens indevidas no Legislativo municipal.

Segundo os documentos da investigação, uma testemunha ouvida de forma anônima relatou que vereadores teriam sido filmados sem conhecimento durante encontros em um escritório atribuído a Wanderley. O local estaria preparado com uma câmera escondida para registrar parlamentares que aceitassem propostas de recebimento de dinheiro em troca de apoio político.

Conforme o relato, as imagens seriam posteriormente utilizadas como instrumento de constrangimento contra os próprios vereadores, especialmente aqueles que demonstrassem intenção de deixar o grupo político ou votar contra os interesses da direção da Câmara.

Além das gravações, o relatório aponta que cartas de renúncia previamente assinadas por parlamentares também teriam sido utilizadas para pressionar os envolvidos a manter os compromissos políticos assumidos. A estratégia teria sido retomada durante as articulações para a eleição da Mesa Diretora, realizada em maio de 2026.

Vereador é citado em relato sobre ameaças

A investigação também menciona o vereador Kleberton Feitoza (PSB), apontado no relatório como aliado de Wanderley Cerqueira. Segundo o depoimento reunido pelo Gaeco, Kleberton teria conhecimento de um acervo de gravações e utilizado esse material para pressionar colegas que ameaçassem romper com o grupo político.

Entre os episódios relatados está o caso da vereadora Rosy Prado (União Brasil), que registrou um boletim de ocorrência afirmando ter sido ameaçada com a divulgação de vídeos e outras informações consideradas comprometedoras. De acordo com o relato incorporado à investigação, as ameaças estariam relacionadas a gravações nas quais ela supostamente apareceria recebendo valores.

As informações ainda estão sob apuração. A existência dos relatos e das suspeitas descritas nos documentos não representa, por si só, comprovação definitiva da prática de crimes pelos parlamentares mencionados.

Operação investiga compra de apoio político

As suspeitas integram a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco para apurar possíveis irregularidades nas articulações políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

A investigação apura possíveis pagamentos de vantagens indevidas, compra de apoio político, ameaças e eventual atuação de uma organização criminosa para manter influência sobre o Legislativo municipal. Um dos pontos investigados é o suposto pagamento mensal de R$ 10 mil a vereadores em troca de apoio político.

A operação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão 13 vereadores de Várzea Grande, o suplente Samir Japonês (PL), a diretora-geral da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inhan, e os vereadores cuiabanos Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.

Mais de 200 policiais participaram das diligências, em uma força-tarefa que reúne o Ministério Público de Mato Grosso, a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Penal e o Sistema Socioeducativo.

As buscas têm como objetivo recolher documentos, celulares, computadores e outros materiais que possam contribuir para esclarecer os fatos. A análise dos dispositivos eletrônicos e o confronto das informações com os depoimentos deverão ajudar os investigadores a verificar a existência das gravações, a finalidade do material e a eventual participação dos envolvidos nas condutas apuradas.

O caso amplia a crise política na Câmara de Várzea Grande e coloca sob investigação não apenas possíveis negociações financeiras por apoio político, mas também o suposto uso de ameaças para impedir mudanças de posicionamento entre vereadores. A apuração deverá esclarecer se as gravações e as cartas de renúncia foram efetivamente utilizadas para constranger parlamentares e assegurar a permanência do grupo no comando do Legislativo.

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