Baixinha cobra metas e diz que Plano Diretor ignora crise histórica de saneamento em Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 24/04/2026
A discussão sobre o novo Plano Diretor de Cuiabá ganhou contornos mais críticos após a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) apontar falhas estruturais no documento, especialmente pela ausência de metas claras e pela falta de enfrentamento direto ao problema histórico do saneamento básico na capital.
A parlamentar afirma que o plano, embora traga diretrizes gerais de crescimento urbano, não apresenta indicadores objetivos, prazos ou percentuais que garantam a execução das políticas públicas. Para ela, a proposta mantém um modelo de expansão da cidade sem resolver gargalos antigos que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
O principal ponto de crítica recai sobre a infraestrutura básica. Segundo a vereadora, Cuiabá segue avançando territorialmente enquanto bairros inteiros permanecem sem rede de esgoto, drenagem adequada e acesso pleno à água tratada — uma realidade que, segundo ela, se arrasta há décadas.
Dados levantados durante o debate indicam que mais de uma centena de bairros enfrenta algum tipo de precariedade estrutural, muitos deles ainda sem regularização fundiária, o que dificulta investimentos públicos e a chegada de serviços essenciais.
Para Baixinha, o problema vai além da gestão atual e reflete uma sequência de decisões equivocadas ao longo dos anos, com crescimento desordenado e ocupações sem planejamento urbano adequado. Ela defende que o município priorize a regularização dessas áreas como etapa fundamental para destravar investimentos em saneamento e infraestrutura.
A crítica também atinge o direcionamento estratégico do Plano Diretor. Na avaliação da vereadora, o documento prioriza a expansão para novas regiões da cidade, enquanto áreas já consolidadas seguem sem soluções definitivas. A lógica, segundo ela, precisa ser invertida: primeiro corrigir o passivo urbano, depois projetar o crescimento.
O tema já havia provocado tensão durante a apresentação oficial do plano, quando a parlamentar questionou diretamente o prefeito Abilio Brunini (PL) sobre a situação de bairros como o Pedra 90, onde moradores enfrentam problemas relacionados à qualidade da água e ausência de rede de esgoto.
Apesar das críticas, a vereadora reconhece que o plano possui pontos positivos, mas reforça que, sem metas concretas e sem atacar problemas estruturais, o risco é perpetuar a desigualdade urbana. Para ela, não é possível discutir desenvolvimento sem garantir o mínimo de dignidade à população que vive nas regiões mais vulneráveis.
O debate sobre o Plano Diretor deve se intensificar nas próximas semanas, com expectativa de audiências públicas e discussões na Câmara Municipal. A proposta é considerada estratégica para definir o futuro urbanístico da capital, mas enfrenta resistência de setores que cobram mais objetividade, planejamento e compromisso com a realidade das periferias.
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