Botelho minimiza crise no MDB e diz que falta de candidatos derrubou chapa para deputado federal
Política POR: Redação
POSTADO EM: 18/08/2026
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) minimizou a decisão do partido de desistir da disputa para a Câmara Federal e negou que o recuo represente uma falha da direção estadual da legenda. Para o parlamentar, o principal problema foi a falta de nomes com força eleitoral dispostos a entrar na corrida por uma das oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados.
A decisão foi tomada pela direção estadual do MDB após a convenção partidária e mudou a estratégia da sigla para as eleições de 2026. Em vez de concentrar esforços na formação de uma chapa federal, o partido decidiu priorizar a disputa pela Assembleia Legislativa e a candidatura ao Senado.
Segundo Botelho, a legenda chegou a montar uma chapa considerada razoável, mas as projeções internas indicaram que não haveria votos suficientes para alcançar o quociente eleitoral necessário para eleger um deputado federal. A estimativa trabalhada pelo partido aponta que seriam necessários entre 220 mil e 250 mil votos para conquistar uma cadeira em Brasília.
“Está faltando interessados. Os políticos mesmo, quem tem mandato estadual, ninguém queria ir para federal. Ex-prefeitos, pouquíssimos se propuseram”, afirmou o deputado ao justificar a decisão.
Na avaliação de Botelho, insistir em uma candidatura federal com baixa possibilidade de eleição poderia comprometer recursos e estrutura que agora serão direcionados para a chapa estadual. O objetivo declarado pelo MDB é ampliar a bancada na Assembleia Legislativa e chegar a até cinco deputados estaduais eleitos.
“Se a chapa de federal está com pouca chance de eleger um deputado, então vamos concentrar na chapa estadual, para nós fazermos cinco”, explicou.
O recuo, entretanto, provocou reação entre nomes que haviam sido atraídos para o MDB justamente com a expectativa de disputar a Câmara Federal. Um dos casos é o da ex-prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, que deixou o PL e ingressou no MDB sob a perspectiva de encontrar uma chapa competitiva para a eleição.
Após a mudança de estratégia, Rosana criticou a direção da legenda e atribuiu ao partido a responsabilidade pela falta de uma composição capaz de sustentar sua candidatura. Botelho, porém, rebateu a avaliação e afirmou que a decisão foi baseada em cálculos eleitorais feitos internamente.
Para o deputado, Rosana e o ex-prefeito de Várzea Grande Kalil Baracat estavam entre os nomes com maior potencial de votos dentro da composição. O problema, segundo ele, seria a ausência de outros dois ou três candidatos de peso capazes de elevar a votação total da chapa.
“O partido tentou, conseguiu até montar a chapa, era razoavelmente boa, mas precisava ter pelo menos uns dois ou três candidatos mais fortes ali e foi aí que pegou”, afirmou.
A decisão expõe uma dificuldade que atinge diferentes partidos na montagem das chapas proporcionais: encontrar candidatos competitivos dispostos a disputar a Câmara Federal, onde a exigência de votos é significativamente maior do que na eleição para deputado estadual.
No caso do MDB, a escolha agora coloca a disputa pela Assembleia Legislativa no centro da estratégia eleitoral. A legenda pretende transformar a estrutura construída nos municípios e o peso de suas lideranças em votos para ampliar sua representação no Parlamento estadual.
A mudança também terá reflexos na disputa política de Mato Grosso, já que nomes que estavam sendo preparados para uma candidatura federal precisarão redefinir seus projetos eleitorais. Com a campanha oficialmente nas ruas, o MDB terá menos de dois meses para consolidar sua estratégia e convencer o eleitorado de que a aposta na chapa estadual pode produzir um resultado mais expressivo do que a tentativa de conquistar uma vaga em Brasília.
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