Decisão de Dino pode tirar Fábio Garcia da vice de Pivetta e mudar estratégia eleitoral de Mauro Mendes
Política POR: Redação
POSTADO EM: 11/08/2026
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o contato entre o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) e o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) criou um novo obstáculo para a chapa governista de Mato Grosso e pode provocar uma mudança importante nas eleições de 2026. Garcia, escolhido para ser vice de Otaviano Pivetta (Republicanos), voltou a considerar a possibilidade de deixar a disputa majoritária e buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados.
A medida judicial foi determinada no âmbito da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal, e estabelece a proibição de contato entre os investigados, com exceção das comunicações estritamente familiares nos casos previstos na decisão. O despacho, porém, não impede Mauro Mendes ou Fábio Garcia de disputar as eleições e também não proíbe os partidos dos dois de integrarem a mesma aliança. O problema está na possibilidade de os dois atuarem conjuntamente durante a campanha.
A dificuldade é especialmente relevante porque Mauro Mendes pretende disputar uma das duas vagas ao Senado, enquanto Garcia foi escolhido para ocupar a vice na chapa de Pivetta ao Governo do Estado. Os três fazem parte da mesma estratégia eleitoral e, em condições normais, deveriam participar de reuniões, viagens, gravações, entrevistas, eventos, comícios e atos políticos lado a lado.
Com a restrição determinada pelo STF, entretanto, qualquer interação política direta entre Mauro e Garcia pode gerar questionamentos sobre o cumprimento da ordem judicial. A decisão não afirma expressamente que os dois estejam proibidos de permanecer no mesmo espaço público, mas impede o contato entre eles, o que torna uma campanha conjunta muito mais complexa.
O cenário ganhou peso porque Mauro Mendes foi um dos principais articuladores da escolha de Fábio Garcia para a vice de Pivetta. A indicação do deputado representou uma vitória do grupo ligado ao ex-governador dentro do União Brasil e ajudou a consolidar a aliança entre a legenda e o Republicanos para a sucessão estadual.
Antes da composição, Garcia tinha como principal projeto político a tentativa de permanecer na Câmara dos Deputados. A possibilidade de assumir a vice de Pivetta surgiu posteriormente, após as negociações internas do grupo governista. Agora, com a restrição judicial, a candidatura proporcional voltou a aparecer como uma alternativa concreta para o parlamentar.
A discussão não significa que Garcia tenha decidido abandonar a chapa. Uma eventual mudança dependerá de uma decisão política do grupo governista e das condições jurídicas para a campanha. A cautelar de Dino não determina sua saída da vice e tampouco impede que ele concorra ao cargo.
O problema, porém, ocorre em um momento particularmente delicado para a aliança. Na segunda-feira (10), Garcia já era apontado como um nome que poderia deixar a vice após uma sequência de reuniões entre as principais lideranças do grupo. A restrição imposta pelo STF acrescentou uma nova dificuldade às negociações, que já vinham sendo afetadas pela repercussão da Operação Heritage.
Para Pivetta, uma eventual saída de Garcia obrigaria a reabertura das conversas sobre a vice. O governador teria de encontrar um nome capaz de preservar o equilíbrio entre os partidos aliados e, ao mesmo tempo, evitar que a mudança provoque uma ruptura com Mauro Mendes e o União Brasil.
Para Mauro, o problema também é significativo. Além de disputar o Senado, o ex-governador é uma das principais lideranças políticas da aliança e deve ter papel central na campanha. A impossibilidade de manter contato com Garcia pode limitar a construção de uma estratégia eleitoral integrada justamente entre dois nomes que ocupam posições importantes no projeto governista.
A situação também alcança a ex-primeira-dama Virginia Mendes, esposa de Mauro, que está entre os investigados e pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. No caso de Mauro e Virginia, a decisão prevê exceção para comunicações estritamente familiares, mas a ressalva não se estende automaticamente a assuntos políticos ou eleitorais.
O novo impasse transforma uma decisão judicial em um problema eleitoral de grande dimensão para a base governista. A chapa que vinha sendo desenhada com Pivetta para o Governo, Garcia como vice e Mauro Mendes na disputa pelo Senado agora precisa encontrar uma maneira de conciliar a estratégia política com as restrições impostas pela Justiça.
Nos bastidores, a possibilidade de Garcia retornar à disputa pela Câmara ganha força justamente porque eliminaria a necessidade de uma atuação eleitoral conjunta com Mauro na mesma chapa majoritária. Para o deputado, seria uma volta ao projeto que originalmente pretendia seguir em 2026; para Pivetta, significaria escolher outro nome para a vice.
A decisão final pode ser determinante para o futuro da aliança. Caso Garcia permaneça, o grupo terá de administrar cuidadosamente a campanha para evitar qualquer situação que possa ser interpretada como descumprimento da ordem do STF. Se o deputado optar pela reeleição, Pivetta terá de reorganizar a composição da chapa e abrir uma nova rodada de negociações.
O que está em discussão, portanto, não é apenas o futuro eleitoral de Fábio Garcia. A decisão pode redefinir a composição da chapa de Pivetta, alterar a estratégia de Mauro Mendes para o Senado e obrigar o grupo governista a redesenhar parte do projeto construído para as eleições de 2026.
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