Cuiabá, 2026-07-06T13:57:29

Pivetta cobra Lula por obras paradas, mas diz que MT mantém portas abertas para recursos federais

Pivetta cobra Lula por obras paradas, mas diz que MT mantém portas abertas para recursos federaisPolítica

POR: Redação

POSTADO EM: 06/07/2026

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O governador Otaviano Pivetta endureceu o discurso em relação ao Governo Federal ao cobrar avanços em obras estruturantes prometidas para Mato Grosso, mas deixou claro que o Estado continuará buscando recursos da União independentemente das divergências políticas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante agenda pública, Pivetta afirmou que Mato Grosso mantém “as portas abertas” para investimentos federais, porém criticou a lentidão de Brasília na liberação de projetos considerados estratégicos para infraestrutura, logística e desenvolvimento regional. O governador destacou que o Estado apresentou suas prioridades ainda no início do atual mandato presidencial para inclusão no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas afirmou que pouca coisa avançou desde então.

A fala reforça um posicionamento político que vem sendo adotado pela atual gestão estadual: manter relação institucional com o Governo Federal sem abrir mão de cobranças públicas sobre repasses e execução de obras. Pivetta ressaltou que buscar recursos federais é obrigação administrativa de qualquer governo, independentemente de alinhamentos ideológicos.

“O importante é defender os interesses de Mato Grosso”, sinalizou o governador ao defender uma postura pragmática diante das relações entre Estado e União.

A declaração também é interpretada como um movimento de consolidação da imagem de independência administrativa da gestão estadual. Pivetta afirmou que Mato Grosso conquistou autonomia financeira graças ao crescimento da arrecadação própria, especialmente impulsionada pelo agronegócio e pelos investimentos privados.

Segundo o governador, o Estado segue executando obras e ampliando investimentos mesmo sem depender diretamente de transferências federais. O discurso fortalece uma narrativa frequentemente utilizada pelo grupo político ligado ao ex-governador Mauro Mendes: a de que Mato Grosso atingiu estabilidade fiscal e capacidade própria de investimento.

Apesar disso, Pivetta reconheceu que obras estruturantes de responsabilidade da União ainda são aguardadas pelo Estado. Entre os projetos considerados prioritários estão melhorias logísticas, rodovias federais, ampliação ferroviária e investimentos previstos no PAC. O governador lembrou que Mauro Mendes apresentou uma lista de demandas estratégicas ao Governo Lula logo no início do mandato presidencial.

A cobrança ocorre em meio ao avanço das articulações políticas para as eleições de 2026. Otaviano Pivetta, que assumiu o comando do Palácio Paiaguás após a saída de Mauro Mendes, já aparece entre os principais nomes da disputa pelo Governo do Estado no próximo pleito.

O cenário eleitoral em Mato Grosso tem sido marcado por forte predominância de lideranças conservadoras e alinhadas ao bolsonarismo, grupo político do qual Pivetta tenta se aproximar nos últimos meses. Ao mesmo tempo, o governador busca manter equilíbrio institucional com Brasília para garantir acesso a investimentos federais e evitar isolamento político-administrativo.

A relação entre Mato Grosso e o Governo Lula vive um momento de dualidade. Enquanto integrantes da base estadual fazem críticas à condução federal e à demora em projetos do PAC, o Estado continua firmando convênios e recebendo recursos da União em áreas como saúde, infraestrutura e assistência social.

Recentemente, o Governo Estadual também anunciou novos investimentos em parceria com municípios como Cuiabá e Várzea Grande, reforçando a estratégia de ampliar obras regionais com recursos próprios enquanto aguarda participação mais efetiva do Governo Federal.

A fala de Pivetta evidencia o atual momento político vivido em Mato Grosso: um Estado que tenta fortalecer o discurso de autonomia financeira e protagonismo regional, mas que continua pressionando Brasília por investimentos considerados fundamentais para sustentar o crescimento econômico e estrutural dos próximos anos.

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