Abílio culpa gestão Emanuel por aumento de quase 12% na conta de água em Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 30/06/2026
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), afirmou que não pretende assinar qualquer autorização relacionada ao novo reajuste da tarifa de água e esgoto na capital, mas reconheceu que a Prefeitura está limitada diante da decisão judicial que garantiu à concessionária Águas Cuiabá o direito de aplicar aumento de 11,93% nas contas a partir de julho. A declaração ocorre em meio à crescente pressão popular e política sobre o novo reajuste, que pode elevar ainda mais o custo dos serviços básicos para milhares de famílias cuiabanas.
Mesmo adotando um discurso contrário ao aumento, Abílio admitiu que o Município tem pouca margem para impedir a medida, já que o reajuste foi reconhecido em decisão arbitral e posteriormente validado judicialmente. Segundo o prefeito, a principal esperança da gestão agora está em eventual atuação do Ministério Público de Mato Grosso, que abriu procedimento para investigar a legalidade do aumento e pode tentar derrubar a medida na Justiça.
A crise em torno da tarifa da água se transformou em mais um embate político na capital. Abílio voltou a responsabilizar a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD) pelo impasse e afirmou que as decisões administrativas tomadas nos últimos anos abriram caminho para que a concessionária buscasse compensações financeiras milionárias por meio da arbitragem.
O reajuste adicional de 11,93% se soma ao aumento anual de 4,47% já aplicado no início de 2026. Com isso, consumidores podem enfrentar impacto acumulado superior a 16% nas tarifas de água e esgoto em menos de um ano. Na Câmara Municipal, vereadores passaram a tratar o caso como uma das maiores crises envolvendo serviços públicos da capital nos últimos anos.
A origem do novo aumento está ligada à primeira revisão ordinária do contrato de concessão firmado ainda em 2012, durante o processo de privatização do sistema de abastecimento e saneamento de Cuiabá. A concessionária alegou desequilíbrio econômico-financeiro no contrato e levou a disputa para uma Câmara de Mediação, Conciliação e Arbitragem vinculada ao Ciesp/Fiesp, em São Paulo. O entendimento arbitral reconheceu o direito da empresa à recomposição tarifária.
Segundo a Procuradoria-Geral do Município, a decisão arbitral teve como base parecer técnico emitido ainda pela antiga Arsec, atual Cuiabá Regula. O documento teria fortalecido juridicamente o pedido da Águas Cuiabá e reduzido a capacidade de contestação da atual administração municipal.
O Ministério Público passou a acompanhar o caso após questionamentos sobre a transparência dos cálculos utilizados para justificar o reajuste e sobre os impactos da cobrança da taxa de esgoto. Atualmente, o órgão já mantém ações civis públicas relacionadas às tarifas praticadas pela concessionária e avalia novas medidas judiciais para suspender o aumento autorizado recentemente.
Nos corredores da Câmara de Cuiabá, parlamentares pressionam por uma reação mais dura contra a concessionária. O vereador Dilemário Alencar (União Brasil) anunciou articulação para tentar anular o reajuste e convocou representantes da Águas Cuiabá para prestar esclarecimentos sobre os critérios utilizados na revisão tarifária.
Enquanto a disputa avança no campo jurídico e político, o tema aumenta o desgaste da relação entre população e concessionária. Reclamações sobre tarifas elevadas, cobranças de esgoto e qualidade dos serviços voltaram a dominar debates nas redes sociais e nos bastidores políticos da capital.
A nova crise também reacende discussões nacionais sobre o modelo de concessão do saneamento básico e os efeitos da privatização sobre as tarifas cobradas da população. Especialistas do setor apontam que disputas envolvendo reequilíbrio contratual e revisões tarifárias têm se tornado cada vez mais frequentes após a ampliação da participação privada nos serviços de água e esgoto no país.
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