“Não precisa noticiar para o Brasil inteiro”, diz Dilmar sobre ações de Sérgio Ricardo
Política POR: Redação
POSTADO EM: 30/06/2026
O líder do governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil), saiu em defesa do direito do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, de fiscalizar obras públicas, mas criticou a forma como as inspeções vêm sendo conduzidas e divulgadas. A declaração aumentou a tensão política em torno das fiscalizações realizadas pelo órgão, especialmente após a repercussão das vistorias na MT-170, rodovia que apresentou problemas estruturais pouco tempo depois da pavimentação.
Dilmar afirmou que o TCE possui prerrogativa constitucional para acompanhar contratos e cobrar providências do Estado, mas disse considerar exagerada a exposição pública das fiscalizações. Segundo o parlamentar, o trabalho técnico poderia ocorrer sem transformar as inspeções em grandes eventos midiáticos.
O deputado criticou diretamente o uso de vídeos, entrevistas e publicações nas redes sociais durante as vistorias realizadas por Sérgio Ricardo. Para o líder governista, o mais importante é garantir que os problemas sejam corrigidos, independentemente da repercussão pública dada ao caso.
A declaração ocorre em meio ao desgaste envolvendo as obras da MT-170, antiga BR-174, no noroeste de Mato Grosso. Trechos recém-asfaltados começaram a apresentar deterioração acelerada após o período de chuvas, gerando críticas de moradores, caminhoneiros e lideranças políticas da região. A situação levou o presidente do TCE a realizar inspeções presenciais na rodovia e divulgar imagens mostrando falhas no pavimento.
Durante as vistorias, Sérgio Ricardo endureceu o discurso contra empresas responsáveis pela execução das obras e anunciou auditorias para apurar responsabilidades técnicas e possíveis prejuízos aos cofres públicos. As ações ganharam grande repercussão política e passaram a incomodar setores do governo estadual e aliados do ex-governador Mauro Mendes.
Dilmar argumentou que o próprio Governo do Estado já vinha monitorando a situação antes mesmo da entrada mais incisiva do TCE no caso. Segundo ele, a Secretaria de Infraestrutura havia realizado mais de 20 notificações contra a empresa responsável pela obra e aplicado multas devido às falhas identificadas no trecho. O parlamentar também afirmou que a empreiteira assumiu compromisso de refazer os serviços danificados.
O deputado ainda tentou minimizar o impacto dos problemas na rodovia ao afirmar que as falhas se concentram em uma pequena parte da obra total executada. Segundo Dilmar, outros trechos da MT-170, construídos por empresas diferentes, não apresentaram irregularidades.
A declaração do líder governista é vista como mais um capítulo do embate crescente entre integrantes da base política do governo e o presidente do Tribunal de Contas. Nas últimas semanas, deputados estaduais passaram a questionar publicamente o que classificam como “espetacularização” das fiscalizações feitas pelo conselheiro.
O ex-governador Mauro Mendes também entrou na discussão e criticou manifestações públicas de Sérgio Ricardo sobre processos ainda em análise pelo Tribunal. Mauro alegou que conselheiros do TCE possuem restrições semelhantes às impostas a magistrados e, por isso, deveriam evitar pronunciamentos públicos sobre casos sob investigação.
Em resposta às críticas, Sérgio Ricardo afirmou que continuará realizando fiscalizações presenciais em obras estaduais e rebateu acusações de ativismo político. O presidente do TCE argumenta que a fiscalização é obrigação constitucional do órgão e sustenta que a exposição pública ajuda a pressionar empresas e gestores para solucionar problemas estruturais nas rodovias mato-grossenses.
A crise envolvendo as obras da MT-170 acabou ampliando um debate mais amplo sobre transparência, fiscalização e exposição pública de problemas em contratos milionários do Estado. Enquanto o governo tenta reduzir o desgaste político causado pelas falhas na rodovia, o TCE intensifica auditorias e amplia o monitoramento sobre obras de infraestrutura em diferentes regiões de Mato Grosso.
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