Daniel denuncia manobra nos bastidores da Câmara e fala em descumprimento de acordo
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 30/06/2026
A disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá entrou em rota de colisão e expôs um cenário de forte tensão política entre os vereadores da capital. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) acusou publicamente o grupo ligado à presidente da Casa, Paula Calil (PL), de descumprir um acordo firmado entre os parlamentares para definir a nova data da eleição da Mesa Diretora.
A crise ganhou dimensão após uma votação interna realizada entre os 27 vereadores para tentar evitar questionamentos judiciais sobre o calendário eleitoral da Câmara. Segundo Daniel, dois blocos apresentaram propostas diferentes para a realização da eleição: um defendendo o dia 1º de outubro e outro propondo a votação em 5 de novembro. O entendimento firmado, de acordo com o parlamentar, era simples: a data vencedora seria respeitada por todos os grupos.
O problema começou após o resultado apertado. O grupo de Daniel Monteiro venceu por 14 votos a 13, consolidando a proposta de antecipar a eleição para o início de outubro. No entanto, segundo o vereador, o bloco adversário teria recuado imediatamente após a derrota e informado que não aceitaria cumprir o acordo político construído nos bastidores da Câmara.
A declaração escancarou o ambiente de desconfiança dentro do Legislativo cuiabano e ampliou a tensão entre os grupos que disputam o controle da Mesa Diretora para o próximo biênio. O embate envolve diretamente aliados da presidente Paula Calil e parlamentares que defendem uma postura mais independente em relação ao Executivo municipal.
A disputa é tratada como uma das mais acirradas dos últimos anos dentro da Câmara de Cuiabá. De um lado, Paula Calil tenta manter influência no comando da Casa e articula apoio para viabilizar sua permanência no núcleo de poder do Legislativo. Do outro, vereadores ligados ao grupo de Ilde Taques e do Republicanos trabalham para impedir a consolidação do atual bloco governista.
Além do desgaste político, o impasse também envolve uma preocupação jurídica. O atual Regimento Interno da Câmara prevê a eleição da Mesa para o dia 25 de agosto, mas decisões recentes do Supremo Tribunal Federal passaram a limitar eleições antecipadas em parlamentos municipais e estaduais. O entendimento consolidado pela Corte estabelece que esse tipo de votação deve ocorrer apenas a partir de outubro do ano anterior ao novo mandato.
O receio dentro da Câmara é que uma eventual manutenção do calendário atual provoque judicialização do processo e até anulação da eleição, cenário semelhante ao que já ocorreu em outras cidades brasileiras após decisões do STF. A preocupação aumentou depois que o Supremo derrubou uma eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, decisão que passou a repercutir diretamente nos bastidores políticos de Cuiabá.
Daniel Monteiro afirmou que o acordo entre os vereadores tinha justamente o objetivo de evitar insegurança jurídica e impedir que a disputa interna acabasse nos tribunais. Segundo ele, o rompimento do compromisso político demonstra que parte dos parlamentares não esperava ser derrotada na votação interna e decidiu ignorar o resultado assim que percebeu a perda de força dentro da articulação.
A crise ocorre em meio às articulações para a possível mudança no Regimento Interno da Câmara, proposta que também abriu uma nova frente de disputa política. O grupo ligado à presidente Paula Calil trabalha para aprovar alterações que permitam recondução dentro da mesma legislatura, movimento interpretado por adversários como uma tentativa de manter o atual grupo no controle do Legislativo cuiabano.
Com o clima de confronto instalado, vereadores já admitem nos corredores da Câmara que a eleição da Mesa Diretora pode se transformar em uma das disputas mais judicializadas da história recente do Legislativo municipal. Enquanto isso, as articulações seguem intensas e devem dominar os bastidores políticos da capital nos próximos meses.
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