Pivetta critica “pacote de bondades” de Lula, questiona mudanças na eleição, mas reconhece vitória do petista
Política POR: Diego Vilani
POSTADO EM: 28/10/2026
Governador de Mato Grosso afirma que medidas aprovadas durante a disputa presidencial podem ter influenciado o resultado das urnas, critica prorrogação da votação e defende diálogo institucional com o presidente reeleito.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), fez críticas à condução do segundo turno da eleição presidencial e às medidas anunciadas pelo governo federal durante a disputa eleitoral. Apesar dos questionamentos, o chefe do Executivo estadual reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e garantiu que manterá uma relação institucional respeitosa com o Palácio do Planalto.
As declarações foram dadas à imprensa nesta terça-feira (27), dois dias após o segundo turno, realizado no domingo (25). Pivetta, que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro, classificou o processo eleitoral como marcado por uma judicialização excessiva e questionou a decisão que ampliou em duas horas o funcionamento das seções eleitorais.
A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que seções ainda abertas continuassem recebendo votos até as 19h, pelo horário de Brasília. Para o governador, a medida provocou uma mudança desnecessária na organização da votação.
Pivetta afirmou não ter compreendido os motivos da alteração e relatou ter recebido a informação de que representantes dos dois lados solicitaram a extensão do horário. Na avaliação dele, o episódio demonstrou uma interferência excessiva de decisões judiciais no processo eleitoral.
Outro ponto abordado pelo governador foi a aprovação de medidas do governo Lula durante o período eleitoral. Pivetta utilizou a expressão “pacote de bondades” para se referir às iniciativas e afirmou acreditar que elas contribuíram para a recuperação eleitoral do presidente, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.
Segundo o governador, a velocidade com que determinadas propostas avançaram no Congresso Nacional chamou sua atenção. Ele ironizou a rapidez das aprovações, classificando o movimento como algo próximo de um milagre.
A avaliação de Pivetta, entretanto, representa uma interpretação política do resultado. Não há, nas declarações apresentadas, dados que permitam medir quanto cada medida governamental influenciou o comportamento dos eleitores ou determinar que os benefícios tenham sido decisivos para a reeleição.
Apesar do tom crítico, o governador fez questão de reconhecer a legitimidade da decisão das urnas. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença aproximada de 4,43 milhões de votos.
Pivetta afirmou que respeitar o resultado não exige qualquer esforço pessoal e destacou que, como governador, sua responsabilidade é manter o diálogo com o governo federal, independentemente das diferenças políticas.
O republicano também defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, deixando claro que seus questionamentos sobre decisões adotadas durante a votação não significam rejeição ao resultado oficial.
A postura sinaliza uma tentativa de separar o posicionamento político da responsabilidade administrativa. Embora tenha apoiado o adversário de Lula na disputa presidencial, Pivetta terá de manter interlocução com Brasília para tratar de investimentos, infraestrutura e projetos estratégicos para Mato Grosso.
Essa relação ganha importância diante das demandas do Estado por recursos federais e pela continuidade de obras e programas que dependem da atuação conjunta entre União e governo estadual.
Reeleito governador de Mato Grosso no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, Pivetta inicia um novo ciclo político diante de um cenário nacional em que seu grupo saiu derrotado da disputa presidencial.
Ao reconhecer a vitória de Lula e defender a manutenção do diálogo institucional, o governador demonstra que pretende preservar os interesses administrativos de Mato Grosso, mesmo mantendo críticas à condução política e eleitoral do governo petista.
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