“Moleque e mentiroso”: Gisa parte para o ataque contra Bruno Rios e sessão vira bate-boca em VG
Baixada Cuiabana POR: Diego Vilani
POSTADO EM: 28/10/2026
Discussão começou após cobrança por agilidade na análise de projetos da Prefeitura; vereadora acusa colega de fazer espetáculo nas redes sociais e aponta falhas em propostas enviadas pela gestão Flávia Moretti.
O clima de tensão política na Câmara Municipal de Várzea Grande ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (27). Uma cobrança sobre a demora na análise de projetos encaminhados pela Prefeitura terminou em troca de ofensas entre vereadores, com acusações de mentiras, exposição nas redes sociais e críticas à qualidade das propostas apresentadas pela administração municipal.
O confronto teve como protagonistas a vereadora Gisa Barros (Podemos) e o vereador Bruno Rios (PL), líder da prefeita Flávia Moretti (PL) no Legislativo. Durante a discussão, Gisa chamou o colega de “moleque” e “mentiroso”, acusando-o de utilizar a tribuna para provocar outros parlamentares e produzir conteúdos destinados às redes sociais.
A confusão começou quando Bruno cobrou explicações dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a demora na emissão de pareceres de projetos enviados pelo Executivo. Segundo o vereador, a comissão estaria segurando propostas sem apresentar posicionamentos formais, o que prejudicaria o andamento das matérias.
“A CCJ tá pra emitir parecer, não pra corrigir o projeto”, afirmou Bruno, defendendo que os integrantes da comissão apontem oficialmente os problemas identificados e assumam a responsabilidade pelos pareceres favoráveis ou contrários.
A cobrança provocou uma reação imediata de Gisa, que subiu à tribuna e contestou a postura do parlamentar. Sem poupar palavras, ela acusou Bruno de transformar o debate legislativo em um espetáculo político.
“Bruno, você é um moleque, mentiroso, e tem essa fama na cidade”, disparou a vereadora. Em seguida, afirmou que o colega costuma atacar outros parlamentares e deixar o plenário sem permanecer para ouvir as respostas.
Gisa também acusou Bruno de tentar colocar a população contra a Câmara ao responsabilizar os integrantes da CCJ pela demora na tramitação dos projetos. Segundo ela, o vereador estaria mais interessado em produzir vídeos para as redes sociais do que em discutir os problemas técnicos das propostas.
A parlamentar sustentou que aproximadamente oito projetos encaminhados pela Prefeitura apresentam falhas, incluindo ausência de documentos necessários para a análise legislativa. Na avaliação dela, essas inconsistências dificultam o trabalho da comissão e precisam ser resolvidas antes que as matérias sejam submetidas à votação.
As críticas também atingiram diretamente a administração Flávia Moretti. Gisa afirmou que integrantes da gestão municipal demonstram dificuldades na elaboração dos projetos e que os vereadores têm assumido a tarefa de identificar e buscar a correção de problemas que deveriam ter sido resolvidos antes do envio das propostas.
A vereadora ainda trouxe à discussão a passagem de Bruno Rios pela própria CCJ. Segundo ela, o parlamentar teria deixado 21 projetos pendentes quando integrou a comissão, situação que, conforme sua versão, precisou ser reorganizada posteriormente pelos demais vereadores. A alegação não foi acompanhada, nas reportagens consultadas, de documentação que permitisse confirmar individualmente essas pendências.
O bate-boca ganhou mais um participante quando o vereador Alessandro Moreira (MDB) também reagiu às declarações de Bruno. Ele classificou o colega como “fofoqueiro” e “desagregador”, acusando-o de levar ao Executivo informações sobre discussões internas da Câmara.
Alessandro também defendeu o trabalho da CCJ e afirmou que a análise das propostas busca evitar que matérias com problemas jurídicos ou documentais avancem para votação. O vereador reconheceu que a comissão poderia simplesmente emitir pareceres contrários, mas argumentou que os integrantes procuram contribuir para que os projetos sejam corrigidos.
O episódio expõe mais uma vez as dificuldades de relacionamento entre a base da prefeita Flávia Moretti e parte dos vereadores de Várzea Grande. De um lado, aliados do Executivo cobram agilidade na votação das propostas consideradas importantes para a administração. Do outro, parlamentares defendem que a tramitação respeite as exigências legais e acusam a Prefeitura de encaminhar documentos incompletos.
A discussão também ocorre em um momento particularmente delicado para o Legislativo municipal. Na semana passada, a Câmara foi alvo da Operação Cathedra Venalis, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suspeitas de corrupção e negociação de apoio político relacionadas à disputa pela Mesa Diretora. As investigações ainda estão em andamento e não representam condenação dos envolvidos.
Em meio às disputas pelo comando da Câmara, às investigações e aos atritos com a administração municipal, o novo confronto evidencia um ambiente político cada vez mais dividido.
Para além das ofensas, a discussão deixa uma questão administrativa que precisa ser esclarecida: por que projetos enviados pela Prefeitura estariam chegando ao Legislativo com falhas documentais e quais medidas serão adotadas para garantir que as propostas sejam analisadas dentro dos prazos necessários?
Enquanto essa resposta não aparece, a população acompanha uma Câmara marcada por embates políticos que frequentemente acabam se sobrepondo ao debate sobre as necessidades do município.
Baixada Cuiabana
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