Cuiabá, 2026-10-28T18:39:14

Pivetta critica “pacote de bondades” de Lula, questiona mudanças na eleição, mas reconhece vitória do petista

Pivetta critica “pacote de bondades” de Lula, questiona mudanças na eleição, mas reconhece vitória do petistaPolítica

POR: Diego Vilani

POSTADO EM: 28/10/2026

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Governador de Mato Grosso afirma que medidas aprovadas durante a disputa presidencial podem ter influenciado o resultado das urnas, critica prorrogação da votação e defende diálogo institucional com o presidente reeleito.

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), fez críticas à condução do segundo turno da eleição presidencial e às medidas anunciadas pelo governo federal durante a disputa eleitoral. Apesar dos questionamentos, o chefe do Executivo estadual reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e garantiu que manterá uma relação institucional respeitosa com o Palácio do Planalto.

As declarações foram dadas à imprensa nesta terça-feira (27), dois dias após o segundo turno, realizado no domingo (25). Pivetta, que apoiou a candidatura de Flávio Bolsonaro, classificou o processo eleitoral como marcado por uma judicialização excessiva e questionou a decisão que ampliou em duas horas o funcionamento das seções eleitorais.

A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que seções ainda abertas continuassem recebendo votos até as 19h, pelo horário de Brasília. Para o governador, a medida provocou uma mudança desnecessária na organização da votação.

Pivetta afirmou não ter compreendido os motivos da alteração e relatou ter recebido a informação de que representantes dos dois lados solicitaram a extensão do horário. Na avaliação dele, o episódio demonstrou uma interferência excessiva de decisões judiciais no processo eleitoral.

Outro ponto abordado pelo governador foi a aprovação de medidas do governo Lula durante o período eleitoral. Pivetta utilizou a expressão “pacote de bondades” para se referir às iniciativas e afirmou acreditar que elas contribuíram para a recuperação eleitoral do presidente, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.

Segundo o governador, a velocidade com que determinadas propostas avançaram no Congresso Nacional chamou sua atenção. Ele ironizou a rapidez das aprovações, classificando o movimento como algo próximo de um milagre.

A avaliação de Pivetta, entretanto, representa uma interpretação política do resultado. Não há, nas declarações apresentadas, dados que permitam medir quanto cada medida governamental influenciou o comportamento dos eleitores ou determinar que os benefícios tenham sido decisivos para a reeleição.

Apesar do tom crítico, o governador fez questão de reconhecer a legitimidade da decisão das urnas. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença aproximada de 4,43 milhões de votos.

Pivetta afirmou que respeitar o resultado não exige qualquer esforço pessoal e destacou que, como governador, sua responsabilidade é manter o diálogo com o governo federal, independentemente das diferenças políticas.

O republicano também defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, deixando claro que seus questionamentos sobre decisões adotadas durante a votação não significam rejeição ao resultado oficial.

A postura sinaliza uma tentativa de separar o posicionamento político da responsabilidade administrativa. Embora tenha apoiado o adversário de Lula na disputa presidencial, Pivetta terá de manter interlocução com Brasília para tratar de investimentos, infraestrutura e projetos estratégicos para Mato Grosso.

Essa relação ganha importância diante das demandas do Estado por recursos federais e pela continuidade de obras e programas que dependem da atuação conjunta entre União e governo estadual.

Reeleito governador de Mato Grosso no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, Pivetta inicia um novo ciclo político diante de um cenário nacional em que seu grupo saiu derrotado da disputa presidencial.

Ao reconhecer a vitória de Lula e defender a manutenção do diálogo institucional, o governador demonstra que pretende preservar os interesses administrativos de Mato Grosso, mesmo mantendo críticas à condução política e eleitoral do governo petista.

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