Cuiabá, 2026-07-06T13:56:07

Camelôs rejeitam áreas vazias e pressionam Prefeitura por espaço no coração de Cuiabá

Camelôs rejeitam áreas vazias e pressionam Prefeitura por espaço no coração de CuiabáBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 06/07/2026

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A reorganização do comércio informal no Centro de Cuiabá voltou a provocar tensão entre vendedores ambulantes e a Prefeitura. Após a retirada das bancas instaladas em calçadas da Rua 13 de Junho, Avenida Isaac Póvoas e entorno da Praça Ipiranga, trabalhadores passaram a pressionar o município por um novo espaço que garanta circulação de pessoas e condições mínimas para manter as vendas.

A principal preocupação dos camelôs é econômica. Muitos afirmam que a mudança para locais considerados afastados ou com baixo fluxo pode comprometer diretamente a renda das famílias que dependem exclusivamente do comércio de rua. Nos bastidores, a avaliação entre os ambulantes é de que permanecer em pontos estratégicos do Centro é essencial para garantir sobrevivência financeira.

A Prefeitura iniciou nos últimos meses uma força-tarefa para desocupar calçadas e reorganizar o comércio informal na região central. A gestão do prefeito Abilio Brunini argumenta que a medida busca melhorar a mobilidade urbana, liberar espaços públicos e atender recomendações ligadas ao ordenamento da cidade.

Inicialmente, parte dos ambulantes seria transferida para o Shopping Orla, no bairro Porto. A proposta, porém, enfrentou forte resistência. Trabalhadores alegaram que o local possui circulação reduzida, dificuldade de acesso e pouca visibilidade comercial, fatores que poderiam provocar queda brusca no faturamento.

A insatisfação provocou protestos em frente ao Palácio Alencastro e mobilizou até a Defensoria Pública de Mato Grosso, que questionou judicialmente a operação de retirada dos vendedores das calçadas do Centro. O órgão argumentou que muitos comerciantes vivem em situação de vulnerabilidade social e dependem exclusivamente da atividade informal para sustento familiar.

Diante da pressão, a Prefeitura recuou parcialmente e definiu a Travessa Desembargador Lobo, nas proximidades da Praça Ipiranga, como espaço provisório para instalação dos ambulantes por um período experimental entre 30 e 60 dias. A alternativa foi construída após negociações entre representantes dos vendedores, vereadores e a administração municipal.

Mesmo com a mudança temporária, o clima ainda é de insegurança entre os trabalhadores. Muitos afirmam que o novo espaço ainda não possui o mesmo fluxo de consumidores registrado nas áreas tradicionais do Centro. A preocupação se concentra principalmente nas vendas de roupas, eletrônicos, acessórios e pequenos produtos de consumo rápido, que dependem diretamente do movimento intenso de pedestres.

A discussão também divide opiniões entre lojistas, consumidores e entidades comerciais. Representantes do comércio formal defendem a retirada das barracas das calçadas, alegando concorrência desleal, dificuldade de circulação e impactos negativos na experiência de compra da população. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) chegou a solicitar oficialmente à Prefeitura medidas para reorganizar o comércio informal na região central.

Por outro lado, ambulantes argumentam que a atividade representa a única fonte de renda de centenas de famílias e cobram soluções que conciliem organização urbana e manutenção da atividade econômica. Muitos defendem a criação de um espaço popular permanente no próprio Centro de Cuiabá, em área de grande circulação, evitando o esvaziamento das vendas.

A Prefeitura afirma que seguirá monitorando o novo modelo e não descarta ampliar a fiscalização para impedir o retorno de barracas às calçadas já desocupadas. A gestão municipal também avalia transformar o espaço provisório em uma área definitiva para o comércio popular caso a experiência apresente resultados positivos.

O debate sobre os ambulantes expõe um problema histórico da Capital: o desafio de equilibrar desenvolvimento urbano, ocupação ordenada dos espaços públicos e sobrevivência econômica de trabalhadores informais que há décadas fazem parte da paisagem do Centro de Cuiabá.

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