Em meio à crise financeira, Flávia Moretti pede empréstimo de R$ 22,4 milhões para saúde de VG
Baixada Cuiabana POR: Diego Vilani
POSTADO EM: 28/10/2026
Projeto enviado em regime de urgência prevê financiamento pela Caixa Econômica Federal para modernizar unidades de saúde; parecer técnico recomenda cautela com o pagamento da dívida.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que solicita autorização para contratar um empréstimo de até R$ 22,4 milhões junto à Caixa Econômica Federal. O dinheiro deverá ser utilizado na compra de máquinas e equipamentos para a rede pública de saúde, em uma iniciativa que busca melhorar a estrutura de atendimento à população, mas que também levanta discussões sobre a capacidade financeira do município para assumir novos compromissos.
A proposta foi apresentada em regime de urgência, por meio da Mensagem nº 166/2026, assinada pela prefeita em 20 de outubro. O valor exato da operação poderá chegar a R$ 22.428.187, dentro de uma linha de financiamento vinculada ao Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), programa federal voltado ao fortalecimento de serviços públicos essenciais.
Na justificativa encaminhada aos vereadores, a administração municipal argumenta que a modernização dos equipamentos é necessária para acompanhar o crescimento da demanda por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é ampliar a capacidade operacional das unidades e oferecer melhores condições de trabalho aos profissionais da saúde.
O financiamento poderá ser contratado com ou sem garantia da União, dependendo das condições estabelecidas pela instituição financeira e do cumprimento das exigências legais. Antes de qualquer liberação, entretanto, a Prefeitura precisará obter autorização legislativa e concluir os procedimentos administrativos necessários.
Embora a Secretaria Municipal de Gestão Fazendária tenha se manifestado favoravelmente ao andamento da proposta, um parecer técnico elaborado pela Superintendência de Finanças e Contabilidade recomenda atenção especial aos impactos do empréstimo sobre as contas públicas.
O documento, identificado como Parecer nº 023/2026 e emitido em 19 de outubro, alerta para a necessidade de planejamento caso recursos próprios do município sejam utilizados para pagar parcelas, juros e demais encargos do financiamento. Nessa situação, a Secretaria Municipal de Saúde deverá prever mecanismos de compensação financeira com receitas estaduais e federais.
A preocupação ganha relevância diante das dificuldades fiscais enfrentadas por Várzea Grande. Em julho deste ano, a administração municipal decretou situação de calamidade financeira e fiscal após bloqueios judiciais de recursos e dificuldades relacionadas ao pagamento de precatórios. Na ocasião, a Prefeitura informou que o município acumulava aproximadamente R$ 1 bilhão em dívidas judiciais e enfrentava restrições orçamentárias que comprometiam a execução de serviços e investimentos.
Esse histórico coloca a nova operação de crédito sob atenção do Legislativo, que terá de avaliar não apenas a necessidade de investimentos na saúde, mas também as condições de pagamento e os possíveis impactos sobre o orçamento municipal nos próximos anos.
Segundo a documentação apresentada, Várzea Grande possui classificação B na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal de estados e municípios. A nota atende aos critérios de elegibilidade previstos para a modalidade de financiamento, mas não representa garantia automática de aprovação do empréstimo.
Outro ponto que merece atenção é a ausência, nas informações divulgadas sobre o projeto, de detalhamento das taxas de juros e do prazo de quitação. Esses fatores serão determinantes para estabelecer quanto a Prefeitura efetivamente pagará ao longo do contrato, além dos R$ 22,4 milhões inicialmente solicitados.
A documentação orçamentária também esclarece que a indicação de recursos para a compra dos equipamentos não significa disponibilidade imediata do dinheiro. A execução dependerá da atualização das dotações, da confirmação das condições financeiras e da conclusão das etapas legais.
Agora, a proposta fica nas mãos dos vereadores de Várzea Grande. Caso receba aprovação da Câmara e seja sancionada, a Prefeitura estará autorizada a avançar na contratação do financiamento, respeitando os limites e exigências estabelecidos.
A discussão envolve duas necessidades importantes para o município: melhorar uma rede de saúde pressionada pela demanda da população e preservar o equilíbrio financeiro da administração. O desafio será demonstrar que o investimento poderá resultar em melhorias concretas no atendimento sem comprometer a capacidade de manter os serviços públicos nos próximos anos.
Baixada Cuiabana
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